By mapeia

Casa 2: EIA no Morro do Querosene, sábado, 06.12

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o morro do querosene tem aquela paz

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tinha de dar voltas no poste para ler o poema inteiro, mas…

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o euler adora o bar do alonso

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deve ter seus motivos

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essa é pro guga

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omar khayaan no morro do querosene

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nem o lixo escapou

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pinturas nas paredes

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Quando eu cheguei no Querosene, atrasada de tudo, tanta coisa já tinha rolado, tanta que nem me dei conta e já fui querendo acelerar. Mas o povo tava em outro tempo. Cheguei carregando um passado bem mais pesado que o andarilo e que nem direção tem, fogueteando pra lá e pra cá como se estivesse em Cruz das Almas no São João, ela me contou um dia. Entramos assim pelas portas e janelas, toquei campainha várias vezes e fui recepcionada pelo Jaime e Flor já voltando do churrasco da galera da rádio livre, a única informação que tinha, além das lingüiças e outras carnes indecifráveis pra mim. Antes disso o cara gritou já vou meio impaciente e eu, a Dani e mais um não me lembro ficamos cerca de 437 segundos lá. Já sei, não se usa cerca pra número quebrado, mas eu gosto. Tem gente que usa cerca de jeito muito pior. Ah tem. Alguém teria que ir ao supermercado. Se a kombi é demais, terei que ser eu mesma e Maricotita. Também vão Fernanda e André. Engraçado era que o supermercado além de ser gigante com o próprio estoque à mostra, tinha uma barra bem na altura do umbigo que nos obrigava a passar o carrinho por um lado e a gente abaixando por outro. Dava pra fazer aquela dancinha de não derrubar a barra, como será que aquilo se chama, meu deus? Alguém deve saber, não vou dizer quem. Mas não fizemos. E nesse exato momento começa a tocar uma música do Afro Cuban All Stars no party shuffle que ia combinar perfeitamente com a dancinha que perdemos a chance de fazer. Perrdeu, preibói. Madioquinha, sei lá o quê, é sempre a Mari que comanda essas situações, o resto de nós fica olhando pra ela com a cara de “e agora o quê?” enquanto ela decididamente manda a gente pra lá e pra cá, devolve esse pepino, pega mais batata, tomate não precisa muito e pão tem que ser o mais barato, esquece isso de pão integral. Se não é ela, não sei, eu ia comprar um rolo de papel sublime, um sopão de feijão pronto tamanho familheia e uma máscara pra esconder a cara. E ainda ia esquecer onde parei o carro.
Putz, adoro ficar descascando coisas quando não é mesmo uma obrigação, rolando a indefectível música do Saci. O Adão fumando aquele cachimbo fantástico, ele mesmo todo. A maior doideira: todomundo que não sabe cozinhar sempre aparece no começo, descasca meia batata desperdiçando 70% e depois some. Faz parte. A Ieda, a Fernanda, mais duas  mulheres incríveis do morro mesmo apareceram na hora em que mais precisávamos. Só pra quem viu: chuchu artístico do Euler, Jaime perguntando “mas isso aqui se descasca ou não?”, Guga chegando com curry pra alegria geral e Mari posando pra foto de colher de pau na mão sem ter cozinhado deixando as cozinheiras ressabiadas.

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transporte alternativo, né?

A Laurinha, filha do D’Olinda troca o andarilo pela bike e deixa na mão do Edu, aí perdeu mesmo: depois se arrependeu e era tarde, a criança descendo rua acima – como diria o Jaime – não ia devolver tão cedo.
Chegam os meninos do trem, nessa hora já tinha até decidido recomeçar na breja. De vez em quando passam uns que se juntam, perguntam se a gente é hippie, cadê o scooby doo. Cada um que tenta explicar é lindo. Quando começa o sambinha (imensas saudações a Dinho Nascimento e galera) aí é que chega mesmo todomundo, inclusive o menino que não gosta de samba nem é doente do pé. Segundos depois toca a música dele que me ignora triunfalmente juntando-se à própria Laurinha que foi fazer uma pesquisa de boca de urna pra saber se devemos ou não fazer as projeções – que estavam na programação. Fato é que desistiu quando eu perguntei: mas quantas pessoas tem aqui, no total? Não sabe brincar, Milena, devolve os hominho. Moro no Butantã, se perder esse trem…

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mais khayaan nos muros

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o andarilo adora passear

dsc01485sopão em sua forma primitiva e a dona ieda

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trabalha nego!

Em algum momento resolvemos pintar o muro do D’Olinda que de quarto em quarto de hora passa com o torpedo espirrando tinta em todomundo. Fez tatuagens incríveis em todos: ganhei uma mulher grávida no braço e um terceiro olho. André ganhou um capoeirista na perna, o Edu mais dois olhos, a Mari uma poesia do Euler e mais um monte de gente. Claro que não vou lembrar de tudo. Não só das tatuagens, mas do resto todo, também. Não confiem nisso aqui; tudo passou por mim.
A noite vai chegando, o bar da Ieda vai enchendo, vão chegando famílias, eu mesma fui explicar de programação na mão, o EIA pra própria pessoa que ia nos hospedar logo adiante, chega a chefa loura-linda pra dar o ar da graça e fica só um pouquinho.
Daqui a pouco está todomundo do bar inteiro, amigo. Te considero pra caralho, cara. Viu que tem pãozinho? Ó, pega o pratinho assim que não queima a mão. Eu tô usando o pão de guardanapo. Quem foi que cozinhou? Putz, tá incrível. Eu também posso pegar? Tem um monte. Nessa hora já não lembro de mais tanto. Sei que na miúda fui lavar os pincéis lá dentro sem poder ser descoberta porque a Ieda não deixa: prometi que não ia deixar um pingo de tinta na pia e que ninguém ia descobrir. Espero que não tenham visto a toalhinha. Nem usei, juro. Por Deus [dedinhos cruzados]! A promessa era só pra pia.
O bar vai acabando e alguém resolve ir pra casa e vai todomundo junto.

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as pinturas foram dos muros

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para os corpos

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para as faces

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supper’s ready

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e a musga não pode parar. valeu dinho nascimento pelo som!

dsc01550óia o auê aí, ô!

A gente sobe a escada txx tsss txxx tsss e senta numa rodinha na casa do Moisés e da Mafê, um povo incrível que nos hospedou tão queridamente. Maricotita saca la carta fatal mas todos están mui cansaditos e entediaditos. E lá vamos nós ao supermercado inteiro pintados e alguém, não vou dizer quem, ainda tem a manha de yomangar umas finesses: damasco, amêndoa, sei lá. Cachaça, cerveja, se perde, o supermercado 24 horas está aberto ou não: a pergunta que não quer calar. Vamos jogar narcotráfico, sugestão da Diana. Ela disse olhando aqueles olhos que poderíamos ser fuzilados a qualquer momento. Eu acreditei mesmo e fingi que estava dormindo, de medo.
E aí vai dormir todomundo acampamento.

(fotos Gisella Hiche, relato Milena Durante)

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sexta-feira, 05 de dezembro de 2008.

na correria, sempre. entra no carro, coloca o som.
atrasada chego ao encontro com George. no centro vamos fazer as comprar para os cafés da manhã.
entra e sai entra e sai, liga, pergunta, faz e refaz a lista.
para um pouquinho pra comer algo. toma um côco gelado que derrama no corpo… a boca não dá conta de preencher aquele buraco imenso que fizeram na fruta.

prefiro sem canudos.

pela noite, em casa, aguardo ansiosamente para darmos início à imersão.
vixe, mas já estou tão cansada.
não tem problema. a presença de pessoas me faz bem e logo sinto como se tivesse durmido o dia todo.

pega a máquina lá?
nossa tenho que carregar a bixinha..
abre a portinha, tira a bateria e encaixa no carregador.
ok.
liga na tomada.
a luzinha pisca assim?
pisca, deixa piscar, daqui umas horas ela estará recarregada.

dança, pula, toma várias…se não fosse a ridícula vergonha também viraria minotaura.

a maquininha continua piscando?
é, continua..

estou cansada.
deixa ela aí ligada, acho que não terminou de carregar.
ah, sei.
mas só pra verificação, liga ela aí meu!

ok,
tira da tomada, pega a bateria, abre a portinha e enfia ela na máquina.
ok, agora aperta o botão.

nossa!
ela não liga!
mas é impossível? ela nunca deixou de ligar…
não funciona,
não funciona,

puta meu e agora?
ai..que bom,
ufa!
nada de fotos.

relato Mariana Marcassa

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fotos Fernanda Cobra

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1 Response to “registros-morro do querosene”


  1. 1 leozi
    março 2, 2009 às 12:31 am

    gstei muito dessas paisagens
    lindas, onde preserva a cultura, brasileira
    meninos soltando pipas rodinhas debate papo,cd um se expressando como pode no pagode na dança de rua tudo isso e lindo nada de violencia menores na rua valeu turma manda um pratinho aí
    kkkkk um abrço a todos,


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