By mapeia

EIA- Experiência Imersiva Ambiental

Em agosto de 2004 nasceu o EIA como um grupo transdisciplinar de cidadãos que reflete e interage com a cidade. O nome – Experiência Imersiva Ambiental – já define as principais atitudes do coletivo a experiência – o ato de lançar-se ao novo, a imersão – o fato de estar rodeado, imerso no ambiente urbano, a atitude em favor de uma transformação positiva da sociedade. A história do grupo passa necessariamente por Salvador, onde, em maio de 2004, ocorreu o primeiro Salão de Maio, organizado pelo GIA, Grupo de Interferência Ambiental (http://giabahia.blogspot.com/). Entre os participantes do EIA estão e já estiveram artistas plásticos, arquitetos, comunicadores sociais, produtores, filósofos, músicos, poetas, escritores, atores e advogados. O método de organização é aberto, colaborativo e auto- gestionado.

Depois do batismo na Bahia, o desafio do EIA foi a organização e realização da primeira imersão urbana em São Paulo, em novembro de 2004. Seguindo a receita baiana, o coletivo recebeu e realizou cerca de 50 projetos de arte pública. A comunicação entre os potenciais participantes se deu prioritariamente pela internet, usando redes como o CORO, Coletivos em Rede e Ocupação (http://www.corocoletivo.org/). Enviamos editais/ convocatórias, de repercussão nacional, que ativaram o envio pelo correio de propostas de trabalhos de intervenção urbana e a vinda de pessoas de todo Brasil para agirem juntas na cidade. O mapa de ação para a semana era criado a partir da compreensão dos projetos recebidos e a percepção do coletivo, e agregados segundo os locais da urbe que nos pareciam mais potentes para recebê-los.

Em 2005, o coletivo se envolveu com a crítica questão da especulação imobiliária na cidade, somada a grande pressão da política hegemônica higienista do governo paulista sobre as populações excluídas. Articulamos o projeto SPLAC!, iniciativa que estimulava a intervenção em material publicitário irregular, que antecedeu a aprovação da lei que proibiu seu uso. A semana de imersão de 2005 usou a mesma estratégia do ano anterior, mas os locais ativados se expandiram, bem como o número de participantes.

A partir de 2006 o grupo mudou sua abordagem com relação as convocatórias, e passou a desenvolver um trabalho de cartografia do espaço público prévio à imersão, ativando comunidades e contextos sociais específicos. Entra em cena a articulação e pesquisa das questões históricas, simbólicas, afetivas, socioambientais e demográficas de cada território. Os planos de investigação se fortaleceram, e o EIA passou a ativar essas relações para agir especificamente dentro desses contextos.

O ano de 2008 marcou a investigação do grupo sobre o conceito de JOGO. Adotando espaços urbanos como campos de investigação denominados “Territórios Anfitriões”, construiu-se um tabuleiro para atuação e interação de comunidades de produção local com artistas e pesquisadores de todo Brasil.

Anualmente, antecedendo o processo de ação/ imersão (nove dias contínuos de vivência) realizamos uma série de debates investigativos, relacionando diversos pontos de vista e troca de informações em distintas áreas do conhecimento, transversalizando discursos e reflexões sobre o viver na cidade contemporânea.

A troca de conhecimento segue, portanto, numa direção cíclica, na difusão das práticas e experiências do coletivo em São Paulo, nas percepções dos participantes de fora, e na recombinação de valores e intenções. Criando enclaves, criando diálogos, criando parcerias, atingimos uma dimensão de Vivência, onde harmonizamos os devires sociais, políticos e simbólicos, fortalecendo a rede de afetos e produção.

A idéia de colaboração energiza todos os segmentos e todo o trabalho do EIA, desde sua organização funcional, que é aberta, até a participação direta com propostas de trabalho dentro das chamadas públicas e nacionais, como por parte dos campos de investigação acionados com seus devidos conhecimentos locais, grupos de atuação comunitária e núcleos de representação social.

Através da plataforma de organização auto-gestionada, exercemos nosso direito de atuação no espaço público, onde conseguimos mesclar a investigação subjetiva do espaço social, construindo formas de interagir com ele, além de construir novos sistemas de organização e experimentação política através do exercício da cidadania criativa. O conceito de imersão ambiental através de convocatórias públicas e inclusivas remete à idéia de participação popular. Colaboração nesse âmbito evoca forças de realização de ações efêmeras e práticas imateriais no entorno urbano.

Relações institucionais / parcerias / campos de afinidade / elos de aproximação

Em seu trajeto o EIA sempre contou com parcerias institucionais de base, acadêmicas ou não, com organismos culturais independentes ou governamentais, coletivos de produção autônomos e redes sociais, nunca tendo se vinculado ao apoio de empresas privadas. Dentre esses parceiros destacam-se : CUCA – Centro Universitário de Cultura e Arte, CEUMA – Centro Universitário Maria Antonia, CCSP – Centro Cultural São Paulo, Secretaria de Cultura do Município de São Paulo, MSTC – Movimento Sem Teto do Centro, Ocupação Prestes Maia, Integração Sem Posse, Esqueleto Coletivo, Reverberações, CORO Coletivo, RIZOMA, Coletivo OS PIGMEUS, Ateliê Espaço Coringa, Barulho.org, Terreiro do Pai Josias, JAMAC – Jardim Miriam Arte Clube, Oficina Cultural Oswald de Andrade, Coletivo Entretantos, MULTIPLICIDADE, GIA – Grupo de Interferência Ambiental, Coletivo Interatividade, INTERURBANOS, FORA-DO-EIXO, CCJ – Centro de Cidadania da Juventude, Massa Crítica – Bicicletada São Paulo, Revista Viração, Sinfonia de Cães / CICAS, Coletivo Imargem, Verdurada, Intervozes, entre outros.

– Show quoted text –

Descrição dos processos desenvolvidos de 2004 a 2008 :

Semana de Imersão 2004 – 54 trabalhos realizados durante 9 dias. 15 participantes presenciais, a maior força de atuação se deu em bairros centrais e centros comerciais e históricos da cidade.

Registros podem ser vistos pelo youtube :

http://www.youtube.com/watch?v=Q4O81LgUJEM

http://www.youtube.com/watch?v=3OZhfyEKzUU

http://www.youtube.com/watch?v=gcS9_p970og

SPLAC 2005 – Este salão independente usou a ironia para fazer de atos de desobediência civil, arte cidadania. Constatada a urgência do abuso da publicidade imobiliária no espaço público nos mobilizamos para de alguma forma realizar um ato que surpreendesse a sociedade e as entidades privadas desse setor com relação a tais práticas abusivas. A irreverência foi o principal argumento para desenvolver esse projeto. O SPLAC! contou com a participação de mais de uma centena de trabalhos e repercussão em jornais, aumentando o grau de discussão e consciência sobre o papel e os limites propaganda e da especulação imobiliária. Estabelecemos uma produtiva parceria com o coletivo Esqueleto Coletivo e o Espaço Coringa. A trajetória desse processo pode ser contada em 2 etapas :

1ª etapa – 2 meses de reunião, encontros e articulações para gerar uma ação em 3 atos, ato 1 – retirar de circulação o máximo possível de placas, de anúncio imobiliário do espaço público que se encontrassem em situação irregular segundo as normas de publicidade urbana, durante uma sexta-feira à noite. Ato 2 – abrimos o ateliê durante todo o dia de sábado para convidados e interessados e a realização e produção artística sobre esse suporte : a placa imobiliária. Ato 3 – realização de uma mostra com os resultados dessa jornada em uma praça pública criando um ambiente cultural provocativo. Foram realizados 50 trabalhos nas placas, mais de 30 artistas e coletivos participaram com trabalhos entre desenhos, colagem, poesia, murais, painel de recado, instalações, pinturas, brincadeiras e arquiteturas precárias.

2ª etapa – Com a finalização da mostra na praça pública, as placas migraram para compor um acervo de resistência junto a ocupação Prestes Maia, então a maior ocupação vertical de sem teto da América Latina, com aproximadamente 2000 moradores, e demais movimentos sociais de moradia. A utilização nômade desses suportes ganhou volume crítico durante o Julho de Resistência Cultural, em 2005, quando foi criado um campo de resistência para fazer frente a ameaça de violenta reintegração de posse. As placas foram expostas na avenida em frente a ocupação todos os sábados de julho, como parte das ações articuladas do Integração Sem Posse, movimento de artistas e movimento social por habitação. Além das placas, a avenida foi ocupada com apresentações de performances, pirotecnias, conversas e ações diversas. Esta ação conjunta, autônoma e independente causou um impacto na produção artística em questão, descolando pessoas para ocupação e fazendo dela uma galeria de arte efêmera em pleno centro de SP, em e em condições autônomas e independentes. A ação dos coletivos de artistas bem como a biblioteca do então morador da ocupação, Seu Severino, causou profunda transformação em como a a população enxergava o local, em uma importante e difícil lição do poder da resistência cultural.

http://splac.atspace.org

http://integracaosemposse.zip.net

Semana de Imersão 2005 – A organização do segundo festival EIA deu-se de maneira menos espontânea que o primeiro: abrigou cerca de 70 projetos, 23 participantes presenciais, conferências sobre os processos da especulação e revitalização na cidade, realizou uma importante parceria com o Centro Cultural São Paulo, sendo incluído na programação da Primeira Virada Cultural. Após o encontro, entramos num ciclo de re-articulação interna para incrementar um novo sentido em nossos processos

http://eia05.zip.net

Baile do Espantalhos / IX Bienal de Havana 2006 – Território São Paulo – em março de 2006, o EIA incluiu-se nas dinâmicas dos coletivos em prol da ocupação Prestes Maia, contrários ao despejo das quase 2000 pessoas que lá moravam. O EIA organizou o Baile dos Espantalhos e incendiou de alegria o evento promovido em resistência à decisão judicial. Novamente uma vitória: a decisão foi revista dando uma sobrevida aos moradores de lá. Foi a primeira experiência do grupo como um propositor conceitual de um projeto artístico, a ação proposta consistia em realizar por 3 dias uma oficina aberta dentro da ocupação prestes maia, criando junto com mulheres, crianças e demais moradores da ocupação uma série de espantalhos para serem expostos durante a mostra, e também que bailassem durante o maracatu improvisado na abertura da mostra. A escolha do espantalho se deu devido ao caráter simbólico do mesmo com relação a idéia de espantar os algozes da lavoura, nesse caso a metáfora se aplicava as forças policiais do estado.

http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2006/03/349660.shtml

http://tuliotavares.wordpress.com/bienal-de-havana/

http://oreverso.blogspot.com/2006/04/pedaos-do-prestes.html

INTERROGACIDADE –Do Prestes Maia, o EIA também saiu fortalecido como coletivo e iniciou a intensa produção de um novo projeto. O evento foi batizado de Interrogacidade e foi realizado na segunda Virada Cultural em maio de 2006, por meio de um convite do Centro Cultural São Paulo e da Secretaria da Cultura do município. O acontecimento contou com grupos convidados e uma vivência junto aos moradores de rua do centro, com atividade durante 16 horas ininterruptas, projeção multimídia de 20 metros em pleno centro e SP e durante uma crise de segurança da cidade por conta dos ataques de facções criminosas. O resultado foi uma grande celebração pela vida, contra a violência e de livre associação de propostas no espaço público. Acho que podíamos falar do cortejo do tranca rua e das contradições de nossa participação na virada e nossas estratégias de critica-la de dentro

www.eia05.zip.net

http://www.mapeia.net/index.php/Interrogacidade:_Essa_rua_é_tão_minha_quanto_sua

“O que Vitória precisa para Vencer ?” – Esta foi a segunda experiência do EIA como propositor de um projeto estético-conceitual de intervenção urbana, dentro de um evento irmão realizado em Vitória, no estado do Espírito Santo, chamado Multiplicidade. Trata-se de uma campanha simbólica com intuito de investigação subliminar sobre a campanha eleitoral em curso na cidade. A intervenção contou com carro de som pelas ruas, além de panfletos, camisetas e faixa. Dentro um percurso traçado pudemos provocar a cidade a refletir sobre a questão do voto e do fazer político com viés simbólico.

http://multiplicidade2006.blogspot.com/

http://www.entreblog.tk/

Semana de Imersão 2006 – No primeiro semestre de 2006, o EIA integrou a programação do Reverberações 2006, com uma oficina para investigar a região e articular a comunidade local, além de acompanhar o festival, por toda a semana em São Paulo. Esta pré- imersão culminou com a ação “percurso Vila nova Cachoeirinha”, em parceria com o BaqueBolado e Biba Rigo (www.reverberacoes.com.br). O Reverberações articula e integra diferentes projetos e/ou iniciativas culturais autônomas, que por sua vez articula participações nacionais e internacionais, em um encontro aberto e participativo.

São artistas e coletivos de arte, pensadores, críticos de arte, curadores, coordenadores de ações continuadas, espaços de arte auto-geridos (virtuais inclusive), associações e cooperativas de artistas no Brasil e no exterior, preocupados e atuantes pelas novas formas de processos coletivo, que propõem jogar foco sobre fundamentais práticas e pensamentos da cultura atual.

A soma e reflexão sobrea trajetória do EIA, leva o coletivo a uma nova configuração para 2006. Agora a principal atividade é a investigação de situações de potência para imersão pública. Criam-se sub-grupos de trabalho para desenvolverem relações com regiões afastadas do centro do cidade, na chamada “Bolsa de Exclusão”, onde de fato existe carência do poder público, bem como discriminação social por parte da classe social dominante concentrada nos centros econômicos. Concebemos nessa etapa a idéia de MAPEIA. Trata-se do levantamento e disponibilização de um circuito de informações sobre esses territórios anfitriões, e o modelo de convocatória passa a instigar por parte dos participantes um estudo prévio dos espaços investigados e uma elaboração de propostas para agir em contextos específicos. Também nessa empreitada desenvolvemos uma oficina para investigar a questão do controle social por parte dos aparelhos panópticos, instalados pela Secretaria de Segurança do município para vigiar a população. Nesse mapeamento especifico nos demos conta da privatização do espaço público e da mestiçagem de poderes, identificando o quão apropriada é a cidade com relação aos interesses privados. Essa ação se chamou ATITUDE SUSPEITA e foi realizada junto ao Esqueleto Coletivo. As cartografias e registros podem ser vistos nos links :

www.mapeia.blogspot.com

http://mapeiadiadema.blogspot.com/

http://mapeiajardimirene.blogspot.com/

http://mapeiacentro.blogspot.com/

http://mapeianorte.blogspot.com/

http://atitude-suspeita.blogspot.com/

2007 – Ano de demandas / maturação. Refletir e compartilhar. Durante o ano de 2007 o grupo opta por não realizar evento anual, mas sim, concentrar forças para uma auto- avaliação do processo até o momento, bem como representar e difundir as atividades realizadas para fora do circuito de São Paulo, apresentando-se em conferencias e oficinas por todo Brasil. Neste ano participamos do projeto MIL971, um encontro de mais de 30 artistas que se juntaram para gerir uma semana de experiências em um estúdio fotográfico. O evento envolveu exposição de pintura, out-door, fotografia, festival de performance, performance sonora, vídeo- arte e conversas públicas. O EIA propos o Toró Imersivo,convidando os seres performáticos a compartilhar suas sonoridades e incorporar a pajelança.

2008- JOGO EIA

Como resultado de um 2007 de reflexões, o EIA iniciou 2008 com a convicção de que era necessário repensar o formato de imergir na cidade. Seguir com a mesma dinâmica seria uma clara cristalização de formato, que se cega às potencialidades do encontro criativo entre coletivos e comunidades que dão ao espaço público direções, essências e atribuições que de fato respeitam o presente como espaço de liberdade e reconfigurações inesgotáveis.

A opção por se fazer um JOGO surge da percepção de que o mais rico do EIA é a convivência entre pessoas de diversas cidades brasileiras, com as mais variadas trajetórias artísticas, políticas, amorosas e territoriais. Quando indivíduos e coletivos chegam em São Paulo com seus projetos de intervenção prontos, como aconteceu desde 2004, perde-se a potência de um processo de colaboração criativa mais intenso e mais contextualizado com os territórios levantados para se realizar as intervenções.

É claro que, em 2006, quando passamos a apresentar aos interessados um mapeamento dos locais onde faríamos ações durante a semana, os projetos ganharam mais abertura para um diálogo com as comunidades. Entretanto, o diálogo entre coletivos/ artistas não era bem aproveitado. Além disso, os participantes do EIA que constroem a Experiência Imersiva Ambiental ao longo do ano, sentiram que durante a semana de imersão ficou difícil dividir as tarefas e principalmente as responsabilidades. Eram muitos projetos, que demandavam um tipo de produção com horários, materiais, programação, divulgação, deslocamentos e ligações telefônicas que, em última análise, acabava por limitar o intercâmbio entre os artistas, deixando as pessoas de São Paulo sobrecarregadas e exercendo um papel de “produtor de evento”.

Convictos de que nosso horizonte é caminhar cada vez mais para a organização rizomática, em que as informações e atribuições possam fluir igualmente entre todos, com o foco na rua, na imersão, no convívio, no coletivo e na autoria compartilhada, resolvemos abolir a idéia de envio de projetos. A relação intensamente horizontal, a abertura a todos os que chegam, a indeterminação do processo, a paixão pela experiência, a solidariedade na ação, enfim, coisas que representam uma outra forma de organizar. O EIA é um processo e uma vivência, na qual o saber sobre a cidade, o outro, a arte, se constrói, aberta ao acaso, ao desejo, à idéia.

No início do ano de 2008 declaramos iniciado o JOGO, reforçando nosso foco noprocesso. Cada reunião, cada articulação, cada idéia, tudo é considerado parte do JOGO. Desde janeiro passamos a nos encontrar semanalmente e a delinear o que seria o tabuleiro urbano. Junto a esse planejamento, o EIA tinha uma necessidade grande de organizar sua história. São milhares de fotos, muitos vídeos não editados, textos e uma rede de coletivos e indivíduos espalhada pelo Brasil e América Latina. Até então, esses materiais encontravam-se nos muitos blogs que fizemos e, principalmente, em muitos hard drives dos participantes. Optamos por elaborar com a Coopperativa Laudeina um site com uma interface mais dinâmica e participativa, fundada no software livre adotando o WIKI como ferramenta para organizarmos nossa história. Atualmente estamos migrando o conteúdo. A opção pelo software livre e pela edição coletiva nos pareceu mais coerente com o processo criativo do EIA.

Em setembro, fizemos os debates públicos no Centro Cultural São Paulo. Foi mais uma etapa do JOGO, em que os debatedores eram encarados como jogadores-asterisco, por trazer para a elaboração do tabuleiro urbano, onde nos propusemos imergir, pesquisas e vivências cotidianas na cidade que estão em sintonia com as preocupações dos jogadores. Foram mote dos debates: Ambientes Virtuais e Campo de Imersão; Percurso dos Resíduos; Locomoção pelo ½ Fio; Artistas do Mundo, Onívoros; e um reencontro com os coletivos que atuaram na ocupação Prestes Maia. Os jogadores-asteriscos aprofundaram temas que nos deram idéias sobre percursos e práticas para a semana de imersão e nos permitiu um espaço para a crítica, reflexão, vivência multidisciplinar e partilha entre as redes com as quais tecemos. Os debates também foram um momento mais específico de chamar novas pessoas para participar do processo, que se constitui sobretudo “por afinidade” entre as pessoas.

Acreditamos que o formato de JOGO trouxe em seu cerne a necessidade de entrega, espírito lúdico, confiança na nossa regra número 1, que é “Todas as regras podem mudar” e desapego aos limites, regras e configurações da sociedade urbana. A estratégia encontrada para que os jogadores participem do EIA em 2008, com uma presença inocente, refrescada e desejante por criar e transformar junto, foi a idéia de que cada pessoa trouxesse uma mochila com “elementos”, que são materiais, poéticas e interesses de cada um. É a partir da articulação dos conteúdos das mochilas e do mapeamento dos territórios anfitriões que o jogo de criar junto deve acontecer.

No momento que escrevemos este texto essa etapa do jogo está por começar (5 de dezembro). Alguns jogadores devem chegar a São Paulo com uma mochila que tem materiais para fazer lambe- lambe, gravuras, acessórios e figurinos para uma performance ou possíveis instalações. Estas mochilas vão se intercambiar entre os jogadores, fortalecendo não apenas o fazer junto, mas o fazer com o repertório do outro e a troca com os anfitriões nos territórios. Entretanto, nada está pronto. São apenas peças para o tabuleiro urbano, e que pela forma como forem pensadas e apropriadas permitirão a criação de situações de resistência aos paradigmas ambientais-políticos-sociais da contemporaneidade, ao buscar um lugar de expressão que requer o outro, requer o corpo e a presença e percepção sobre o lugar onde se está.

Envolvidos pela convicção de que a configuração de corpo-outro-espaço pode, ainda que sutilmente, alterar a subjetividade da experiência política e criativa da cidade, entendida aqui como um acontecimento vivo e transmutável, entendida como ambiente, o EIA não apenas quis potencializar a criação entre jogadores, mas também com os lugares onde vamos imergir. Para tanto, escolhemos XX territórios anfitriões. Tratam-se de lugares onde conhecemos jogadores residentes e mediadores que apresentam a comunidade, com seus cantos, centros, histórias, problemas. Embora o JOGO tenha como um de seus eixos o acaso, não vamos nos submeter a ele, pois existem alguns direcionamentos e interesses que nos movem. Mas o modo de construir esses direcionamentos importa muito, através de processos coletivos presenciais e integrados em rede, em relações que vão se construindo nos territórios, em contribuições que novos jogadores continuamente agregam. Esses direcionamentos são tanto uma intuição que se descobre em processo, quanto são resultado de intensa colaboração entre os jogadores.

Os territórios-anfitriões são: Morro do Querosene, Grajaú, Itapecerica da Serra, Sé/ Luz e Vila Sabrina. Ao longo do segundo semestre organizamos expedições para esses lugares e reuniões com seus moradores. Cada território demanda um tipo de parceria, de negociação, o que, conseqüentemente gera um tipo de idéia de percurso para o jogo, que é construído com os jogadores residentes e não- residentes. Muitos dos jogadores-asterisco, ou debatedores, também participam desta etapa ou abrindo um território ou propondo oficinas ou participando como mais um jogador.


1 Response to “histórico EIA”


  1. 1 Saulo Ladeira
    janeiro 5, 2009 às 10:55 am

    Iniciativa fantástica, belo discurso, aplausos. Como evitar que o JOGO vire uma iniciativa de interesses pessoais já que manipuladores e manipulados se misturam nesse nixo criado. Interesses pessoais que podem não ser perjorativos, mas ainda assim de interesse pessoal.


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