By mapeia

salve salve galera!

escrevo abaixo o roteiro para o EIA no Grajaú dia 07 de Dezembro:

14hs Chegada e recepção no Terminal Grajaú
– pegar o ônibus Ilha do Bororé

14h30 na Ilha do Bororé/ 1ª Balsa Apresentação da APA Bororé, obras imargem e Intervenções

15hs percurso de barco até a comunidade do Jd. Prainhas
– apresentação da comunidade, visitação as obras do Imargem  e Interveções;

16h percurso de carro até a comunidade Cantinho do Céu.
– apresentação da comunidade, visitação a obras do imargem e intervenções.

17hs percurso de bike até o bairro Pq. Res. Cocaia
– apresentação do bairro, visitação ao Projeto Morro da Macumba intervenções e cafezinho na casa da Dona Maria.

18hs Percurso de bike até a comunidade do Jd. Gaivotas.
Apresentação da comunidade, visita a ong Vento e Popa, onde desenvolvem um trabalho junto a adolescentes e jovens, na construção e no velejar de barcos a vela, visitação a obras do imargem e intervenções.

20hs Encerramento da maratona com uma confraternização/sarau com projeções de videos, poesia, música e o que vier
O pessoal do FACA – Foco de Ações Culturais Alternativas, estará vendendo lanchinhos vegetarianos, mas nada impede de fazermos um churras também.

* Obs. Dependendo dos meios de transportes disponiveis, vamos fazer um joguindo em que o povo se dividirá em meios de transportes como, carro, bike, barco e a pé.

abraço

wellingtonneri
www.fotolog.com/wellingtonneri
artstim@yahoo.com.br

**********************************************************************

EIA!

expedição dilúvio, dilúvio de idéias, de vontades, de continuidades…

Foi muito especial esta primeira expedição, o Grajaú é muito tocante, cheio de vida e contradições, cheio de natureza e gente. Puta território!!!

A galera do Imargem é firmeza demais, e estão muito afim de jogar , de nos conhecer, de se aproximar, de compartilhar. O Tim quer entrar na lista.

Bom relato:
Primeira etapa dilúvio, formula um e chegada. Chegada perfeita, mural de grafite sendo feito
estacionamento vip para nosso carro e uma lixeira obra sendo inaugurada (eles tão inaugurando 5 lixeiras obra).

Descemos até a margem da Billings, da qual avistamos dois bairos Prainha e Monte Verde, além de garças, patos, crinças e pescadores a margem. Nós ali agentes marginais contemplando e cosnpirando…

Conversamos muito e o Tim falou da vontade deles de refazer percursos já iniciados por eles do iargem, de refazer ações, de tentar costurar as propostas a partir do que eles já tem feito lá, como forma de dar continuidade.

Levantamos alguns pontos a serem considerados na cosntução da casa Grajaú:

  1. percursos
  • nas lixeiras obra
  • grafites à margem
  • intervenções já relizadas à margem
  • cine ladeira
  • sarau na ecoativa

2. percursos flutuantesdiferentes veículos flutuantes

  • cortejo flutuante
  • ligação entre as margens, tranporte de coisas
  • ligar áreas de fronteira os bairros, apa, rodoanel

3. adentrando nos bairros (idéia muito parecida com aquela que tinhamos de mapear atores urbanos e criar percursos para visita-los)

  • visitas à anfitriões do bairro
  • personalidades tradicionais do lugar
  • cafezinho em casa alheia
  • pistas espalhadas nas casas destes anfitriões

Depois fomos até o Morro da Macumba outro bairro no qual ta rolando um projeto lindo de une depoimentos locais, histórias no muros e graffite. ali conehcemos um pouco mais da história do lugar, das questões e do potencial. tem uma reportagem na ultima carta capital que tem o lula na frente sobre este projeto que foi comtemplado pelo VAI.

Reflexões desabafo…

Muito especial para mim  poder ter estado aqui neste momento, poder dar uma mãozinha aos imersivos que tanto amo e admiro e botar uma energie neste projeto que é tão lindo e um pouquinho de cada um de nós.

Para mim começou a ficar mais claro o potencial deste projeto Jogo, e das novas configurações que ele aponta e lança nos nossos caminhos e no caminho do EIA.
Creio que estamos chegando perto do que seria agir junto mesmo, se aproximar de territórios, de seus contextos, de seus agentes e moradores de sua problemáticas e nos disponibilizar a colaborar com estas realidades, com estes contextos, com o que já rola, rolou e pode rolar por lá. Muito mais do chjegar dispostos a agir, a intervir com estrangeiros, é chegar como reforços, como cavalaria, infantaria, num cortejo flutuante de embarcações, bagagens e tripulantes delirantes e engajados com a realidade local.

Oferecer ajuda, ouvir os sonhos e as histórias de cada lugar e propor a partir disto, e deixar sementes com quem poderá rega-las dia dia, dando continuidade as efemeridades também maravilhosas e repletas de energia.

Bueno sei lá tô meio delirando, delírios imersivos que na real sempre foram nosso maior combustível. Avante marujos que o mar num tá para peixe, mas temos bananas…

vontades imersivas gerais

Floriana
dsc05420

Acordo? Não sei.

Corro para o metrô encontrar ninguém. Atrasada como sempre.

Nem pontualidade nem localização geográfica, por isso desenvolvi umas outras qualidades. Mas nem todos podem conhecer. Não hoje.

Na casa do Edu grito esperando que atravesse a grade, a janela, a sala, a cozinha, toda casa labiríntica e atinja o lugar onde ele não está.

O celular foi de fato perdido, perdido, perdido. O orelhão não sei onde fica.

Não se usam mais essas coisas amarelas e aconchegantes de se estar dentro.

O meu tinha sido higienizado aquele ano mesmo, de acordo com o adesivo.

Fico imaginando porque nunca vi ninguém higienizando nenhum; gostaria.

Uma visão e tanto, dessas pra se contar pros amigos no bar: você não sabe! Vi um orelhão sendo higienizado. E depois me consultaram para uma pesquisa eleitoral!

Que não caia nenhum raio hoje.

Quando ligo está todomundo na padaria e eu até sei onde é. Há!

Cafezinho, guardadanapo ziguezagueia entre bolso e nariz, espremem-se ainda resquícios para fora de algumas pessoas e tudo a olhos vistos por quisesse olhar.

Melhor sair, melhor deixar sair.

“(…)Embromadora, você pra mim agora passa como jogadora.

Sem graça nem surpresa.

Diga que perdi a cabeça, se eu me levantar da mesa e partir.

Antes do final do jogo. Louco seria prosseguir nessa partida. (…)”

Waly Salomão

A Marginal. A Flor dirige, sempre prefiro quem não seja eu.

Não sei o porquê de ir na frente. As instruções que Tim me deu ontem todos já sabem e meu papelzinho bíblia com elas escritas, reescritas, riscadas e ambíguas é totalmente inútil.

No caminho a chuva é grossa e me deixa insegura o delta S entre nosso carro e o da frente. Musiquinhas de rádio e a Flor conta da difiiculdade em ser a única artista num mar de gente política, a caravana e as possibilidades que encontro, os caminhos que conseguiu fazer com seu andarillo. Os caminhos que faz agora.

Era fácil chegar. Passamos pelo autódromo no dia da corrida mas ainda era cedo.

As placas seguimos, também as intuições e chegamos rapidinho, até.

No primeiro muro sendo grafitado naquele mesmo momento já são os amigos do Tim, claro, e eles falam É aqui mesmo.

Olha a vaga VIP, estaciona aqui, essa vaga é disputada.

Essa aqui é a lixeira. A gente que fez tudo. O Mauro é o irmão dele.

dsc05423

A gente mora ali do outro lado da represa. Tem um monte de criança que entra na represa. Tem dia que dá vontade, mesmo, quando tá sol. Eu já vi um menino nadando do lado de um cachorro morto boiando. Acho que é igual a pegar uma bala que cai no chão, vai fazer mal dependendo do corpo de cada pessoa.

dsc05419

Você viu a cadelinha lá dentro? Antes não tinha nada, o lixo ficava todo solto, espalhado, ainda fica, né, tá vendo? Mas agora tem a lixeira. A gente tá fazendo várias dessas, cada um de um artista.

dsc05421

É uma casinha, com telhadinho, cerquinha e tudo.

Chega de diminutivos, Milena, pára de ser tonta.

E não se esqueça da reforma ortográfica.

Vai coincidir com o fim de mundo, parece, com todo o resto.

dsc05432

Uma delícia sentar na margem e aquele cheiro de grama. Tudo me lembrando o Riacho Grande e aquele dia que entramos no barco furado remando com um pedaço de ponto de ônibus mais pesado que a puta que pariu e afundamos todos. À noite tínhamos bebido aquela água sem medo nenhum, de dia entramos.

Todomundo conversa e eu não tenho absolutamente nada a dizer ou a perguntar. Filmo o Tim, o Edu, a Flor, de vez em quando enquadro o menino ali do fundo.

Conta sobre como já fizeram uma projeção daquele vídeo deles ali do outro lado e ficou todomundo tão impressionado de ver sua própria imagem no telão, eles não estão acostumados, pra eles isso é coisa só de gente da televisão.

A água não parece tão suja. Mas pelo que dizem, é.

dsc05430

Tudo muito verde, muito bonito pra mim. O Edu disse que era interessante quando achei bonito, mas achei mesmo. Acabo achando tudo muito bonito tantas vezes.

dsc05434

Mas bonito que essa mesa aqui, que esse teclado e umas outras visões que tenho todas as tardes, mas não naquela.

Vamos pegar o carro, a balsa e cruzar para a ilha do Bororé?

Agora eu dirijo. Parece um lugar de praia.

De um lado a rua por onde chegamos e as casas com acabamento.

dsc05424

Do outro lado da represa tudo são blocos daqueles cor de laranja e pontinhos azuis das caixas d’água. Me ligo que fui com o tênis furado. É muito vacilo.

A ilha não é uma ilha, é uma península. Acho que o hábito de pegar a balsa fez criar essa idéia. Uma fila, me lembrando a de ilha bela, só que bem mais pobre e apertada. Nada tem a ver com a de ilha bela, é só por ser fila e de balsa. Não tem nada a ver, Milena. Nem precisa pagar, é bem mais apertada e curta. No caminho todo, alpendrinhos de pé direito insuficiente para abrigar qualquer modelo, grudados gritam músicas de duplo ou nenhum sentido, não lembro. Eram bares e na periferia não existe refrigerante diet, pode procurar. Isso diz tanta coisa. A Flor toma côco, eu coca, os meninos cerveja. Isso também diz. Os alpendrinhos são bares que vendem comindinhas lindas, manjubinhas, empadinhas, pasteizinhos, todos os tipos de diminutivos deliciosos, mas quem está com fome?

dsc05446

dsc05455

Entramos na balsa e a sensação de nadar a partir do carro sempre me intrigou. Adoro balsa, essa é que é a verdade. Cruzando é só estrada e mato. Chega uma parte em que o asfalto vira terra e me dá um medinho, as britas deixam a direção ter vida própria, gostos e decisões. Chocante, chocante mesmo é avistar o corte no mato, parecendo ter sido feito à faca, o grande descampado estilo serra pelada abandonada.

dsc05469

Camadas de beges, ocres, marrons, coisa de artista. Falésias, pareciam. Muito grande, de espantar o olho, o corpo. A sensação de coisa muito errada que voava estilo mosca na estrada cai feito um sapo-boi naquele corte no mato. Para nos descobrirmos errados, sempre.

dsc05477

Cara, vou dizer a real, eram mesmo três cavalos, surque, acredita? Acho que o nome era esse apesar das pouquíssimas ocorrências no google. Existe, sim, vida fora do google. E muita, fiotes. Queriam demais que a gente filmasse. Ah de filme, né? No meio da serra pelada, corridas de cavalo num naipe de charrete inclinada para uma única pessoa. Os cavalos usavam uma “saia” pra não trotar.

dsc05480

Tem competição disso em Indaiatuba. Parecia uma biga, só que sentado meio inclinadinho pra trás. Filma, filma! A Câmera não tá ligada? Vai de carro atrás deles!

dsc05478

As questões sobre o rodoanel não estão ainda estabelecidas pra mim. A obra não parece estar nem começando, falta muito mesmo. A necessidade do rodoanel é clara. Obscuros são os modos, os meios, os ambientes. Mas e as pessoas? Acham que deveria ter uma entrada pra cá, uma saída pra lá. Aqui é área de preservação. A serra pelada divide a monocultura de eucaliptos e a mata nativa, observação do Edu. Impressionante como os outros percebem essas coisas enquanto eu fico olhando as expressões do cavalo. Queria que minha percepção entendesse de prioridades, eu mesma não entendo.

dsc05481

Voltamos fora do carro na balsa dessa vez. Água entra pelos buracos do tênis, ando me equilibrando nas saliências do piso de metal. Mas gosto desse tênis que com os pés se sente até o frio ou calor do chão de tão fina a sola. As texturas. Andar com ele na sinalização pra cegos do metrô, nas gradinhas, pisando os rejuntes de piso. Contando degraus e azulejos. Atravessa a rua depois do carro vermelho, quando vir uma mulher de roupa azul. TOC, TOC.

dsc05460

Enquanto olho pro chão igual boba e lembro de outras coisas, o Edu, de novo, percebe que a balsa é puxada por alguns cabos de aço. Deve voltar sempre de ré.

Decidimos agir do lado de cá, não na suposta ilha. Mas vale a visita impressionante.

Na volta, passamos de novo pelo QG do Imargem, um dos alpendrinhos, abandonado. Mil vontades. Vai dando aquele friozinho eufórico na barriga que na vida a gente sente poucas vezes. Fale por você mesma. Eu sinto poucas vezes. Mas no EIA, sempre.

Voltamos ao muro, à margem, aos amigos, à lixeira, ao carro, ao cigarro pontuando cada paradinha, o tubinho de filtro até a boca. A cachorrinha quase foi atropelada, toda encharcada da chuva que não tomamos enquanto estávamos no carro.

Vamos visitar o Morro da Macumba? Cara, não se diz não pra certas coisas e ainda bem.

dsc05485

Eu chego lá e fico bem emocionada. Tem uma coisa muito bonita e forte nisso de contar a história do lugar através de grafites e depoimentos nas paredes. Cada um conversa com um deles que estão tocando o projeto pelo VAI e eu fico observando o pessoal voltando da igreja engravatado e engomadíssimo. Meninas de 6 ou 7 anos por um segundo me parecem anãs com seus casacos compridos, bolsinhas, saltos, batons, trejeitos. O que eu não sei mesmo é como é que aquele velhinho sem uma perna desce e sobe aquele morro de muleta. Lembrei de como no Prestes Maia os mais velhos moravam nos andares mais baixos e pensei que devia ter algo assim no morro também. Puta merda.

dsc05492

dsc05490

dsc054951dsc05493
dsc05501

Quando chegou o dono naquele barzinho lindo que por algum motivo me lembrou aqueles estandes de lojinhas amontoadas onde pessoas se engalfinham pra comprar ponta de estoque, que na maior cortesia aumentou a rádio mal sintonizada no talo, um dos meninos do Imargem já tinha feito a contagem do estoque e checado a temperatura das brejas, ele mesmo entrou pegou umas pra gente e pagou. Conversas dessas que não dá vontade de largar: encaixes, pinturas, rua, pessoas, fotos, projetos, flutuantes, meninos artistas, pernas de pau, morros, vontades sem fim, projéteis para o novo mundo, grajaú, cantinho do céu e bororé soltos em todas as direções.

dsc05508

A chuva que começou a cair segundos depois que decidimos ir embora era forte demais foi uma lavadinha de alma engraçada até chegar no carro e eu sempre não achando a chave. Assim que se perdem os celulares.

dsc05514

Graças à fórmula 1 e todo o trânsito alcançado, Edu e Flor tiveram que ouvir minhas próprias aflições pessoais por longo caminho como fez você agora.



3 Responses to “Território Anfitrião:Grajaú”


  1. novembro 13, 2008 às 4:07 pm

    ae Tim, milena e toda galera,enfim imargem e eia.BRILHANTE!!!

    ..TIAGO MATOS..

  2. 3 mapeia
    novembro 24, 2008 às 3:58 am

    é só chegar!


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




agosto 2017
S T Q Q S S D
« nov    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

Recent Entries


%d blogueiros gostam disto: